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domingo, 10 de junho de 2018

EXISTE LEGALIDADE BÍBLICA PARA APOLOGÉTICA?

Não, não existe. Nunca existiu!!! Calvino,que numa espécie de megalomania esquizofrênica, defendeu que a doutrina DIABÓLICA que a noiva e a doutrina são a mesma coisa. Mas não são. Defenda a sã doutrina, mas a Noiva quem defende é o Noivo. Defender o estado laico, ou não, é uma face disso. O estado laico é um estado que não pende para nada. Eu prefiro o estado sendo laico. Prefiro passar em praça pública e ver uma reunião do candomblé, a ser proibido de ter uma bíblia. Prefiro um estado livre, ainda que idólatra(se é que estado tem crença), do que um Irã, ou uma Coreia do Norte. O próprio protestantismo é fruto da liberdade laica. Então um evangélico que seja contra isso, apenas cospe no prato que comeu.

A lei terrena não precisa estar a nosso favor para pregar, apenas a divina. Mas PARA PREGAR, não para convencimentos apologéticos!!!! As agressões mútuas entre cristãos e ateus que ocorrem se devem a APOLOGÉTICA, não a pregação da Palavra de Deus! O que seria isso? Um sujeito chamado Apolo, descrito no livro de Atos dos Apóstolos(At 18:18-19:1). Ele não possuía o batismo com o Espirito Santo, mas apenas o batismo de João. Isso é dito no texto. Isso que traz confusão e conflitos com os incrédulos. Após a morte de Apolo, já no final do século II, um sujeito chamado Tertuliano de Cartago escreve um texto intitulado "Apologética", no qual dá dicas de como provar para o incrédulo, por A+B, que Deus existe. Isso nunca poderia ocorrer, jamais!!! De Deus não se prova a existência, nunca!!! Deus só se pode conceber por fé(Hb 11:6). E, para piorar, um teólogo de renome, chamado Tomás de Aquino, eleva a Apologética como 'ciência do céu'. Algo perfeitamente estúpido! Escreve "A Suma Teológica". Um escrito vindo direto do inferno. Desse escrito que vem o conceito de "guerra justa", ou para 'cristãos' andarem armados. Foi isso que 'justificou' as Cruzadas,e o clamor do papa Urbano II. E também foi desse último escrito que se utilizou(baseado na sabedoria grega pagã)que é legítimo se revoltar contra um tirano. E, quando o grupo Anabatista usou isso no século XVI, eles estariam 'atropelando' Romanos 13:1-7. Mas, segundo eles, Tomás de Aquino não. Este sabia o que falava. A Apologética que faz esse estrago todo no nome dos evangélicos em relação aos ateus, não a pregação do evangelho.

Um dos erros mais comuns na análise bíblica, até quando levada a sério, é imaginar que Deus pede defesa a alguém. Na História existiram pessoas que valorizavam esse defender a Deus perante incrédulos. Gente como Tomás de Aquino ou Calvino. Mas isso não é a Escritura, é opinião humana. Esse jeito de agir teologicamente foi ganhando adeptos no transcorrer da História. Daí se vê páginas da Internet como "e agora ateus?", "ateu todynho" e demências típicas de mentes adolescentes, de quem tem pouco respaldo teológico, e nenhum respaldo bíblico. Também se vê filmes como "Deus não está morto", onde se entende a diferença entre ateu e anticristão. Este último sendo o caso da maioria dos "pseudo-ateus" nessas historias. Mas a tua eloquência não mudará esse quadro. Apenas o teu testemunho muda isso. Não há eloquência ou milagre que mude isso. Em nenhum momento da História da Igreja se viu qualquer apóstolo defendendo Deus perante os incrédulos. Se viu eles defenderem o evangelho que pregavam, isso sim. Até o final do século II, essa prática chamada APOLOGÉTICA não surtia efeito. O próprio Apolo de Alexandria, de onde surgiu esse nome, apenas defendia o evangelho, não a Deus. Foi somente quando surgiram nomes como Tertuliano, Orígenes,Flávio Justino(conhecido como Justino Mártir), Agostinho e Pelagio que isso apareceu. Traduzindo: O próprio Apolo não era 'apologeta'. Simplesmente porque isso não leva a lugar algum. "Mas a nossa PÁTRIA está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo..." Fp 3:20

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A Queda de Constantinopla

“Quando os homens não lutam por necessidade, o fazem por ambição." Nicolau Maquiavel

Há 565 anos atrás, no dia 29 de maio de 1453, exatamente numa terça-feira, caía a última estrela do império bizantino. Era o fim do maior império cristão da idade média. O canhão de dardanelos punha fim a inviolabilidade das muralhas da cidade. E este canhão foi construído por Urban, um artífice cristão húngaro contratado pelo sultão Mohamed II, sendo pago a preço de ouro. O cerco a cidade durou alguns meses. Havia esperança da nova aliança feita entre as igrejas romana e ortodoxa, onde o papa Nicolau V enviaria a ajuda prometida. Mas a ajuda não veio. A maioria dos países da Europa estava comprometido com a Guerra dos Cem anos(que já durava bem mais que isso) entre Inglaterra e França, sendo cada um aliado de um ou de outro. O máximo que viria seria uma leva de navios genoveses, comandadas pelo capitão Giovanni Giustiniani, que mais tarde viraria lenda na defesa da cidade.

Constantinopla já não andava ‘bem das pernas’ desde a invasão católica em 1204, durante a Quarta Cruzada, patrocinada por venezianos. Por isso a união com o ocidente foi bem vinda. Mas a população não aceitava a união com o papa. Preferia o sultão turco. Tanto que muitos gregos gritavam nas ruas de Bizâncio:”Preferimos o turbante do sultão ao chapéu do papa!” E isso não demoraria a acontecer. Após a queda de Constantinopla para os cristãos ocidentais em 1204, a cidade se recuperou. Mas nunca mais como antigamente. Na época, a estupidez dos chamados ‘cruzados criados para defender a terra santa’ não sabia. Mas, ao remover o Império Bizantino do caminho dos católicos, acusando-os de ‘separatistas hereges’, estavam removendo um estado-tampão que os protegia dos turcos otomanos. E essa burrice sairia caro mais tarde. Muito caro. Este preço viria do leste. Com o fim do século XIV, um novo inimigo se aproximava dos Bálcãs: Os turcos otomanos. Vieram a cavalo do Mar de Aral, destruindo os reinos islâmicos por onde passavam. Finalmente eles próprios se tornaram muçulmanos. Eram uma dinastia turca fundada por Osman. Vinham do Turquestão Ocidental. Por isso que turcos são parentes dos chineses,não dos árabes.

Então o Sacro Império Romano-Germânico resolveu criar, em 1408, uma ordem de cavalaria,chamada Ordem do Dragão. Tinha o objetivo de conter a ameaça turca na Europa. O imperador Sigismundo de Luxemburgo criou tal ordem, da qual faziam parte vários príncipes e nobres da Europa. Alguns membros fundadores foram Stefan Lazarević, da Sérvia e Hermann de Celje, sogro do imperador, e conde da Estíria. Outros membros notáveis eram Alfonso V de Aragão, Fernando I de Nápoles, Vlad II Dracul e Vlad III Draculea, mais tarde conhecido como Vlad Drácula, das lendas vampirescas de Bram Stocker. Nessa época, o sultão Bayezid, conhecido como 'o relâmpago', foi tomando parte após parte do Império Bizantino. Isso deixou os principados eslavos em alerta, assim como os reinos búlgaro, sérvio, húngaro e polonês.

Mas os bizantinos também contribuíram para isso com suas divisões internas. Quais eram as condições do Império Bizantino no início das cruzadas no século XI ? Durante 112 anos, a França teve três reis: Roberto II, Henrique I e Felipe I. E o império bizantino teve 15, sem contar os 'autoproclamados' imperadores, que inclusive se utilizavam de ajuda do império turco para subir ao trono. Uma dessas 'ajudas' custou caro, pois despertou a visão turca de como os bizantinos estavam frágeis. Numerosos historiadores avaliam que a queda de Constantinopla constituiu uma verdadeira ruptura, marcando o fim da Idade Média e o advento da Renascença. Na verdade, a “Nova Roma”, afetada pela peste de 1347, perdera a prosperidade econômica e o dinamismo demográfico que conhecera antes de 1204. Na medida em que os exércitos turcos avançavam sobre os principados balcânicos, faziam exigências a estes. Exigiam vários garotos europeus para formar seu exército de janízaros. Os janízaros eram o exército de elite do sultão, composto por 10.000 soldados, retirados dentre os meninos dos Bálcãs. Esses meninos eram islamizados, treinados e armados como o melhor do exército otomano. O sultão começou a avançar sobre os principados dos Bálcãs. Foi preparada uma cruzada, com ajuda dos reinos cristãos do oeste da Europa. A Cruzada de Nicopolis(1396) foi um desastre. Os otomanos estavam muito mais bem preparados,e os europeus se traíam uns aos outros. Soldados valaquianos roubavam soldados franceses pelo caminho. Húngaros torturavam turcos e sérvios ao mesmo tempo.

Porém muitas vezes os países se beneficiam dos inimigos dos seus inimigos. Uma coisa pôs um freio no avanço otomano. Em 1402 o exército otomano era arrasado por um inimigo maior: Os mongóis! O exército de Tamerlão, que vinha arrasando tudo pelo caminho, derrotou os turcos,aprisionou Bayezid, e deu um descanso para os principados europeus. Mas ocorreu que os turcos foram libertados por seus futuros inimigos. Galeras venezianas libertaram os prisioneiros turcos, ajudando-os a se recompor da derrota. Essa ajuda ainda sairia caro. Se Tamerlão não tivesse derrotado o Império Otomano, Constantinopla não teria caído em 1453, mas ainda nos tempos do sultão Bayezid. A situação, ao alvorecer do século XV, era meio tenebrosa para os cristãos, tanto do leste, como do oeste, fossem católicos ou ortodoxos. Cenário político da época: A maior nação cristã do mundo está ameaçada de extinção,o ocidente crê que em breve a Europa se tornará muçulmana. Os países da Europa se batem entre si,e muitos acham que o velho continente está decadente moralmente. Príncipes como Wladislau III, Ivan III, Casimiro IV, Vlad III, Matias Corvino, Carlos V e Luís II tentam montar uma barricada europeia para evitar o pior.

O ataque final otomano é lançado em 29 de maio de 1453 por mar e terra. Eram 15 mil, entre gregos, genovezes e napolitanos, contra 150 mil turcos fora das muralhas. Gregos eram alvo da artilharia por todos os lados. A cidade parecia perdida. O saque foi tão violento que o sultão ordenou o encerramento do butim, com medo de que nada sobrasse de sua nova conquista. Quando as investidas dos otomanos se faziam mais e mais violentas, Constantino foi morto, depois de heroica resistência, o que levou a uma derrota geral dos últimos defensores da cidade. E muitos nem sabiam, mas o imperador Constantino XI Dragases fora traído. O autor da traição foi seu almirante, grão-duque Notaras, chefe da esquadra bizantina, que teria que estar ajudando Giustiniani a defender as muralhas, mas estava ajudando o sultão a entrar, baseado na promessa do mesmo que o colocaria como cabeça sobre todo o reino, assim que o conquistasse. Após um sítio de 53 dias, Constantinopla finalmente caía em mãos de Mehmed II, agora batizado de “O Conquistador”. E o sultão cumpriu sua promessa ao almirante grego: Decepou sua cabeça, colocando-a no ponto mais alto da cidade, onde finalmente o almirante pôde estar como ‘cabeça sobre todos na cidade’. A moral da história é que ninguém confia em traidor.

Com a queda do império bizantino, seriam fechadas as portas comerciais entre os europeus e o leste. Isso iria favorecer reinos litorâneos, como Portugal e Espanha. E mais tarde Inglaterra e Holanda. Estava aberta a temporada das navegações, em que poemas como ‘Os Lusíadas’ de Luís Vaz de Camões ficariam famosos. Seria feita a colonização da América, onde um novo cenário histórico seria montado.

Nessa época, após a queda de Bizâncio, a Europa entra em divisão total. Os turcos entram até 1/3 do território europeu. As pessoas começam a chamar o sultão de 'anticristo'. Parece algo com os dias atuais? Mas toda essa fantasia pára por aí. Os muçulmanos, por causa do próprio jeito como arrumam seus impérios, não têm capacidade para dominar o mundo. O exército de janízaros volta-se contra os sultões. O império começa a cair no alvorecer do século XVII. Dali para frente só será acuado pelos europeus. A América do Norte cresce. O último suspiro do grande império otomano dá-se em 1915, no fim da 2ª Guerra Balcânica. Durante a 1ª Guerra Mundial, a Turquia perdeu a Albânia, a Macedônia e a Trácia. Ficou apenas com uma região em torno de Istambul(antiga Constantinopla). E, se não fosse por um líder nacionalista chamado Mustafá Kemal, talvez nem isso lhe restasse.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

OS 500 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

Monumento em homenagem a Reforma, em Genebra, Suíça. Reparem que não possui as imagens de Lutero ou Zwinglio. Da esquerda para a direita: Guilherme Farel, John Calvino, Theodore de Beze e John Knox.

Hoje fazem 500 anos em que um monge alemão chamado Martinho Lutero pregou suas 95 teses nas portas da Catedral de Wittenberg, e deu início ao movimento da Reforma Protestante. Um movimento que se espalharia pelo mundo. Começaria com reuniões em templos católicos, mas nem sempre era assim. Ao contrário da Igreja Romana, os templos não têm essa grande importância para os protestantes. Só têm importância durante o culto, e isso para aqueles que o possuem. Os protestantes receberam esse nome devido ao documento de protesto da Dieta Imperial de Speyer, em 1529, que pretendia uma unificação religiosa na Europa. Essa partição gerou um movimento que logo rivalizaria com os católicos e ortodoxos. Mais tarde, o protestantismo se tornaria um dos maiores movimentos religiosos da História. Pregadores, como Billy Graham ou Benny Hinn, fizeram tremer multidões não só na América Anglo-Saxônica em geral, mas também na América latina.

Mas o protestantismo começou mais simples. Começou no Renascimento europeu, com escritores como Lorenzo Valla ou Manuel Chrisoloras, que mudaram para sempre o modo como se entenderia as Sagradas Escrituras. Para muitos católicos isso foi apostasia. Para nós, libertação. Os padres do século XV eram, em sua maior parte, ignorantes. Não davam a pregação da biblia que o povo necessitava. Superstições apareciam em várias partes da Europa. Em 1484 o papa Inocencio VIII dava ao mundo aquilo que em breve seria conhecido como Maleus Maleficarum(martelo das bruxas), onde se ensinava a reconhecer os sinais de bruxaria. Temia-se bruxas em escalas histéricas. O diabo era mais citado que o próprio Deus. Antes da Reforma houve uns pré-reformadores como John Wicliff ou John Huss, onde ambos prepararam um caminho bem excelente para o que viria a ser. Mas faltava uma coisa para a dose desse sucesso: A invenção da Imprensa. Esta caberia ao alemão Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutemberg, ou simplesmente Johannes Gutemberg, que inventou a imprensa em meados do século XV. Essa invenção fez toda diferença, pois permitiu a multiplicação de bíblias escritas por toda Europa, abaixando o seu preço, e espalhando pelo continente.

Tudo começou no dia 31 de outubro de 1517, com o Monge Agostiniano Martinho Lutero pregando suas 95 teses contra a venda de indulgências na porta da catedral de Wittenberg. Lutero não era contra as indulgências, mas contra a venda delas. É óbvio que não se podia vender perdão. Após o luteranismo converter vários príncipes alemães, parece que deu uma força aos reinos do norte europeu, como Suécia, Noruega e Dinamarca. Isso fora o ducado de Brandemburgo. O jeito como se espalhava preocupava a Europa. No sul da Alemanha atual(embora esse país não existisse na época) começou, simultaneamente a Lutero, a surgir outro reformador: Ulrico Zwinglio! Um padre da Suíça alemã que vinha pregando em várias paróquias naquela região. Dizem que Zwinglio chegou a decorar todas as cartas de Paulo em grego! Não era para menos. Estudioso, tal como Lutero, começou uma grande reforma suíça. Em breve surgiria um grande desafio para Zwinglio: Os Anabatistas.

Os anabatistas eram cristãos anarquistas, que abriram mão de templos, sacerdotes e rituais, e faziam seus cultos na clandestinidade, nas florestas da Baviera. Um deles, Thomas Müntzer, começou a Guerra dos Camponeses,ao qual Lutero chamou de 'Revolta Maldita'. Guiou os camponeses sob a bandeira da revolta imperial. E essa bandeira era semelhante à bandeira LGBT de hoje,sendo que só tinha 5 cores. Era caçado,tanto por católicos como por luteranos. Mas depois, considerando todo patriotismo como maldito,separou-se dos luteranos. Reunia-se com seus discípulos na floresta negra,ao sul da Saxônia.Os revoltosos baseavam-se na Bíblia para afirmar que os camponeses nasceram livres, e reivindicavam a livre escolha dos líderes espirituais, a abolição da servidão, a diminuição dos impostos sobre a terra, e a liberdade para caçar nas florestas pertencentes à nobreza. Lutero condenou o movimento dos camponeses, apoiando os príncipes e nobres. Houve uma batalha dos senhores feudais contra os anabatistas. A batalha foi em Frankenhausen,onde os anabatistas foram derrotados,e Muntzer foi decapitado. Para entendermos a História, por que eram caçados? No século XVI não havia censos de IBGE como há hoje. Então, a única maneira de contar a população era pelos batismos. Dessa maneira,podia-se contar tanto os impostos a cobrar, como camponeses prontos a lutar pra uma guerra. Acontece que Muntzer pregava batismos somente em adultos. E isso complicou o cenário. O exército de Suleimã,o turco, estava invadindo a Europa. E o imperador precisava de soldados(e dinheiro)para a guerra. Martinho Lutero chamava os turcos de 'exército do anticristo',e dizia que os anabatistas eram culpados pelo fracasso das tropas imperiais. Muitos anabatistas fugiram para o leste da Hungria após a morte de Muntzer. Foram bem tratados pelos príncipes islâmicos vassalos de Suleimã. Tanto que na invasão à Viena por parte dos turcos,em 1683, o chefe da invasão era um príncipe protestante húngaro. Os anabatistas logo foram acusados de conivência com os islâmicos. As interpretações dos fatos eram confusas,pois a maioria do povo era analfabeto. Zwinglio chamava os anabatistas de 'cães da selva'. Ele fez questão de dar um presente todo especial a Felix Manz, primeiro mártir anabatista de fato. Disse que daria a ele,e muitos dos seus, um terceiro batismo. E isso o fez afogando-os no rio Elba. Felix foi afogado no rio Limmat. Hoje há uma placa comemorativa em Zurique. O cronista alemão Ekkehard Krajewski escreve sua biografia.

Enquanto isso na França nascia um novo movimento: O calvinismo! Divulgado por um reformador chamado João Calvino, que era uma espécie de advogado astuto, misturado a um oportunismo perspicaz que soube aproveitar o momento. Este foi único dos primeiros reformadores que não era clérico. E foi o único cujo movimento teve alcances mundiais. Fez sua reforma, incluindo sua obra famosa 'Principios da Religião Cristã'. Suas ideias, surgidas na França, tiveram que ser pregadas em Genebra, na Suíça, por perseguição aos seus discipulos em território francês. Os calvinistas franceses foram conhecidos como 'huguenotes', muito provavelmente por se reunirem em um dos castelos do antigo rei medieval Hugo Capeto. Se reuniam na clandestinidade. Mas em breve aumentaram em número(e armas), e preocuparam os católicos da França. Seu líder nessa época era o almirante francês Gaspar de Coligny, que aconselhava ao rei Carlos IX, para desespero da rainha mãe, Catarina de Médici. Em breve se aliariam com o chefe da liga católica na França, o Duque Henrique de Guise. Dessa aliança resultaria o maior massacre protestante da História: O massacre de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572. Até hoje, na capela Sistina, na 'Sala Régia', existem as pinturas de Giorgio Vasari, que mostram os triunfos da Igreja Romana, onde quatro delas relatam o massacre de São Bartolomeu, onde cerca de 20.000 huguenotes foram mortos numa noite. O papa Gregório XIII ordenou a pertpetuação da memória desse acontecimento, cujo aniversário arrancou lágrimas do velho Voltaire. Em todos os lugares do mundo, a residência do sumo pontífcie é o único em que o assassinato é comemorado.

Mas o castigo viria, literalmente, a cavalo. Carlos IX, o rei da França desse massacre morreu de forma agonizante. O duque de Guise seria assassinado. O seu irmão Henrique III sucedeu-o, pois ele não tinha filhos, mas também foi assassinado. Quem sucedeu o trono foi o genro de Catarina de Médici, cunhado do rei falecido, Henrique IV, o rei de Navarra. A partir daí os huguenotes cresceriam a tal ponto de fortalecer os protestantes na Holanda, Suíça e Brandemburgo. No alvorecer do século XVII nasceria o último conflito religioso da Europa. A Guerra dos Trinta Anos(1618-1648) acabaria para sempre com as chances de unificação religiosa por Roma. Em principio a liga protestante estava vencendo, com a ajuda do rei da Suécia, Gustavo Adolfo. Mas o rei do norte viria a se tornar um vencedor de batalhas, e a liga católica, ao comando do general Wallenstein, conseguiu estender a luta até a batalha de Lützen, em 1632, com a vitória sueca e morte do rei da Suécia. Esse general em breve trairia o imperador em prol da França, e seria assassinado. A partir daí haveria perdas do lado protestante, até a França entrar na guerra. O ministro da França, cardeal Richelileu, era um honmem mais próximo da coroa da França que do papa. Sendo assim, se aliou com a liga protestante. Essa aliança deu a vitória protestante na guerra. O tratado de Westfália, em 1648, foi condenado pelo papa por prolongar a divisão da cristandade, e reconhecer as alas protestantes. Mas não tinha jeito. O futuro não mais reservaria a religião como motivo de conflitos no Ocidente. Um príncipe poderia mudar de religião sem que seus súditos fossem obigados a fazê-lo. Nascia o berço do estado do laico. Para muitos, seria o embrião do ateísmo. Para outros, o nascimento da liberdade. Aos poucos a religião deixou de ser decisiva nas relações internacionais na Europa. Por isso que se deve enfatizar que todo protestante que é contra o estado laico, com tudo de bom ou ruim que isso acarrete, apenas cospe no prato em que comeu. A crença protestante deu origem a pensamentos nunca vistos. Apesar de seu fundamentalismo(foi no protestantismo que esse termo surgiu)do inicio do século XX, em reação ao darwinismo, é preciso reconhecer que foi no protestantismo que o darwinismo nasceu. Charles Darwin era protestante, não ateu. Era ministro anglicano também. Morreu agnóstico, mas ateu nunca foi. Tanto o fundamentalismo religioso, como o evolucionismo, são filhotes da Reforma Protestante. Todos esses movimentos são filhotes da liberdade. Feliz 500 anos a todos os protestantes que assim comemoram!

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

NAS BATALHAS DO PRATA NASCERIA UM PAÍS

"Como aurora precursora

Do farol da divindade

Foi o vinte de setembro

O precursor da liberdade."

Hino do Rio Grande do Sul

Que acontecimento foi este, que os versos iniciais do hino rio-grandense evocam de forma tão heróica? Uma guerra contra o império, que proclamou a república do sul do país. Foram 10 anos de conflito, de 1835 a 1845. Mas suas origens remontam aos primeiros anos do século XIX, com conflitos entre a elite gaúcha e a corte no Rio de Janeiro.

Há exatamente 182 anos atrás, o Brasil sofreria uma tentativa de rachadura no extremo sul do país. Começa a Revolução Farroupilha, em 20 de setembro, quando tropas rebeldes, comandadas por Onofre Pires da Silveira Canto e José Gomes Vasconcelos Jardim, tomam a cidade de Porto Alegre. O governo brasileiro, devido a menoridade de D. Pedro II, estava no período de regência. E várias revoluções explodiram pelo país. E todas foram controladas, com exceção do Rio Grande do Sul. Esta rendição dos gaúchos teve que ser negociada. Os fazendeiros gaúchos reclamam da ausência de ajuda em relação às causas da fronteira, e também de nomear seus próprios governadores, e não 'gente do Rio de Janeiro'.

O comércio de charque ainda viria a causar grandes danos, pois ladrões uruguaios atravessavam a fronteira com frequência. Poucos sabem, mas a origem da cultura de charque no Brasil não veio do sul, mas do Nordeste brasileiro. Nas suas origens verdadeiras, vem dos Andes. Vem das montanhas do Peru, Equador e Colômbia. Esse comércio, e a política brutal de seus fazendeiros, é que deixava o sul uma região tão instável.

Com respeito aos líderes, houve muitos. Desde o principal, Bento Gonçalves, até José Gomes Vasconcelos Jardim, o general Antonio de Sousa Neto, Onofre Pires da Silveira Canto, Bento Manuel Riberio e até estrangeiros como Tito Livio Zambeccari, Giuseppe e Anita Garibaldi. Bento Gonçalves fugiu a nado de sua prisão na Bahia, em 10 de setembro de 1837, há exatos 180 anos atrás. Não poderiam deter alguém com tantos contatos como ele. E detalhe, ele era ajudado pela maçonaria no Brasil. Muito mais dinheiro estava envolvido na causa dos farrapos.

O término da Revolução não envolveu exatamente uma rendição, mas um acordo. O general Luis Alves de Lima e Silva, popular Duque de Caxias, conseguiu a paz com os farrapos, através da paz do Ponche Verde, em 1845. Na época ele ainda não seria o herói da Guerra do Paraguai(1865-1870). Mas foi único brasileiro a receber a honraria de 'Duque'.

A longa duração da guerra contra o Império mostrava a bravura local. A paz honrosa reconhecia o valor dos gaúchos,pois os farrapos nunca foram vencidos no campo de batalha. Além disso, ao proclamarem a República sem se separar do Brasil, os gaúchos provaram que eram brasileiros por vontade própria. Terminados os conflitos na Bacia do Prata e à margens dos rios Uruguai e Pelotas, a região se acalmou, ao menos por enquanto. em breve seria travado nessa região aquilo que seria o maior conflito da América do Sul: A Guerra do Paraguai(1865-1870).

Este é o quadro 'Carga de Cavalaria', em exposição no museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O nome do museu é uma homenagem a Júlio Prates de Castilhos, governador do Rio Grande do Sul no final do século XIX. Foi eleito duas vezes, e é o principal autor da Constituição Estadual de 1891.

domingo, 10 de setembro de 2017

Indianos e alemães são parentes?

Nas análises linguísticas, bíblicas e arqueológicas, tudo leva a crer que sim. Existe um tronco de civilização, chamado de indo-europeu, que originou-se na Ásia Central, e distribuiu-se do vale do Indo ao vale do Reno. Hoje já se investiga a base desse tronco. Seriam os Kurgans! Eles viriam da Ásia central, dando origem a vários ramos: Iraniano(Medos, Persas e algumas etnias afegãs), Hindu(indianos e bengalis), Germânico(anglos, saxões, jutos, vikings, visigodos e ostrogodos), Eslavo(russos, poloneses e búlgaros), Itálico(romanos, etruscos e latinos) e nas ilhas do mar Egeu. Ainda tem os celtas, embora esse ramo seja múltiplo, e siga o mesmo tronco dos persas e hititas.Tem muito mais, porém coloquei-os de forma resumida.

Para quem gosta da análise bíblica, em seus ramos genealógicos, temos os filhos de Jafé, que eram filhos de Noé: Maday(pai dos medos e persas)e Magogue(pai dos russos e alemães). A descrição disso encontra-se em Gn 10:1,2. Embora todo trato com genealogias bíblicas devemos ter cuidado, para evitar absurdos fanáticos.

Nos exames de ossadas antigas, classifica-se os tipos humanos em dolicocéfalos(crânios ovais) ou braquicéfalos(crânios 'quadrados'). Os indo-europeus estão enquadrados nos primeiros. Sejam estes indianos, alemães, afegãos ou russos. Se prestarmos atenção, e ignorarmos a cor da pele, veremos a ossada semelhante entre esses povos.

A parte linguística é a mais interessante. O linguista inglês William Jones descobriu a afinidade entre o grego, o latim e o sânscrito. A antropóloga lituana Marjia Gimbutas também confirma esses dados, que montou, baseada em dados arqueológicos, as origens dos indo-europeus na Ucrânia atual, entre o Cáucaso e o Mar Negro. Ainda hoje, essas são as ideias mais aceitas.

Até a metade do III milênio antes de Cristo, a civilização Harappa dominava os vales do Indo, e do Ganges. Após a segunda metade do II milênio a.C. povos belicosos, vindos do planalto iraniano, invadiram a Índia. Colocaram um sistemas de castas, e mudaram a cultura do lugar para sempre. Eram os arianos. Estes povos indo-europeus são os pais da Índia atual. Por essa causa que a suástica nazista tem sua vertente inversa no peito de uma deusa hindu. A suástica alemã é a hindu girada ao contrário. Muitas especulações místicas são feitas em prol disso, mas aqui só interessa a História. E esta uniu os povos hindus e germânicos para sempre.

Recomendações bibliográficas:

www.jies.org

Página do 'The Journal of Indo-European Studies'. Tem textos fantásticos, porém precisa pagar para se ter acesso.

www.continuitas.com

É um site oficial daqueles que se contrapõe a muitas ideias aceitas na atualidade.

domingo, 3 de setembro de 2017

O PENSAMENTO TORPE EMBRUTECE O JUÍZO

Por esses dias houve um caso polêmico envolvendo a representante Disney em Paris, do menino Noah, de três anos de idade, querer ir à festa de princesas Disney vestido de Elsa(personagem principal da Frozen). A Disney a princípio se recusou a permitir a participação da criança, ao menos vestida daquele jeito. O resultado foi uma série de debates imbecis no Facebook, acusando a mãe da criança de "ideologia de gênero", "iluminati", "Nova Ordem Mundial", "Marxismo Cultural", etc. Ficou uma babel guerrilheira, sem a mínima necessidade. É uma criança, e o povo preocupado com influências, que nem existem.

Passados uns dois dias, a Disney se desculpou, como se fizesse algo grave(não fez, pois a empresa tem regras). Porém, como toda empresa quer lucro, e teme boicotes, que se tornaram comuns, voltaram atrás. Desse ponto em diante que faltou acusarem a Disney de parceira do Anticristo. Esse povo está louco. É uma criança de três anos, não um debate trans/gay na internet. Pior ainda quando se fala em "fazer as vontades da criança", como se isso fosse algo ilegal. Não é homossexualidade, pois não existe criança homossexual. Isto remete a pessoas que possuem relações com o mesmo sexo. Nem desejo pelo mesmo sexo é homossexualidade. Não é transexualidade, pois a criança(por enquanto) não reconhece isso. Se os pais fossem cristãos, o que inclui mudança de vida(por isso que não existe país cristão), podem "ensinar a criança no caminho que deve andar"(Pv 22:6). Mas pais impios tentarem "evitar pecado no filho"(se é que essa estupidez existe), é sacrificio de tolo. Nós somos o "sal da terra e a luz do mundo"(Mt 5:13-16) para convidar os moradores desse para morar no céu, não para consertar esse mundo. Somos embaixadores de nossa pátria celeste(Fp 3:20). Que o menino Noah tenha liberdade de brincar, e não sejamos responsaveis por nenhuma estupidez. Se ele aceitar a Jesus mais tarde, terá o Espirito Santo nele, e sofrerá modificações naturalmente.

'Todas as coisas são puras para os puros. Mas nada é puro para os corrompidos e descrentes. Antes a sua mente, como sua consciência, estão contaminadas.' Tito 1:15

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terça-feira, 11 de julho de 2017

LIMBUS PATRUM - O QUE É ISSO?

O termo é uma expressão em latim que significa 'orla paterna'. Seria uma localidade entre o céu e o inferno, reservado aos justos do Antigo Testamento que teriam que ali esperar a redenção de Jesus. Nesse lugar, não havia "aperfeiçoamento" como no purgatório, mas apenas espera. Embora a doutrina do purgatório surgiria dele.

Durante boa parte da Idade Média se creu numa ideia, por demais grotesca, de que Jesus teria descido ao Hades no ato de sua morte, e pregado ao povo do Antigo Testamento, que morreram sem ouvir falar da graça. E também não haviam sido batizados, permanecendo com o "pecado original". Este último termo, nem na bíblia tem, mas foi invenção de Agostinho de Hipona. Bispo africano do século V. A ideia era que a redenção dos santos do AT não tinha sido completa. Afinal, sem a morte de Cristo, e a ciência dela, ninguém poderia ser salvo. Assim pensavam os cristãos gnósticos do século II. Isso possui sustentabilidade bíblica? Claro que não! Uma passagem bastante usada pra isso é a de I Pe 3:18-22. Mas, se lermos o texto completo, veremos realmente do que se trata. A nossa salvação e o sacrifício de Cristo foram feitos antes do nosso tempo. Não dependem dessa esfera aqui(Ef 1:3-10)(Ap 13:8).

E fora da bíblia, essa ideia surgiu de onde? Esse 'entendimento' da passagem de Pedro veio de um certo 'Evangelho Apócrifo de Nicodemus', escrito no final do século II, cuja redação final veio do século V. É um livro de 11 capítulos que se diz ter sido escrita pelas pessoas que ressurgiram com Cristo(Mt 27:51-53). Nesse livro, Satanás dialoga com os demônios, e pede que mantenham Jesus preso, assim que este entrar em seus domínios. E o demônios lembram que, recentemente, haviam perdido um certo Lázaro. No fim, Jesus vence e acorrenta-o para ficar assim até a sua volta.

Para aqueles que conhecem história, e até mitologia, isso se parece muito com a cultura e mitologia gregas. Parece a batalha entre Zeus e Hades, com a derrota deste. Acrescentando que o inferno não é casa do diabo, é a prisão do diabo. E não são demônios os responsáveis pelo tormento infernal, pois estes também são atormentados. Essa crença em um "satanás atormentador" não vem da bíblia, mas da obra "A Divina Comédia", de Dante Alighieri. E até dos quadros de Giotto, no seculo XIV. Resumindo, tudo fantasia mitológica de muitos escritos na História. Na própria biblia é que isso não se baseia.

Para ilustrar essa história bizarra, uma tela de Vittore Carpaccio - 'A morte de Cristo'(1520)